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Entrevista com Dirceu Vianna Junior, único Master of Wine do Brasil

Casa com Vinho - São Paulo/SP - NOTÍCIAS - 12/05/2014 - 08:09:00
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Dirceu Vianna Junior, paranaense de Cândido Rondon, e único Master of Wine Brasileiro.

O Institute of  Masters of Wine, em Londres, é uma das instituições mais importantes e reconhecidas no mundo, na área de vinhos.

O número de alunos aceitos do mundo todo por ano é de apenas 80, e o número de alunos aprovados anualmente é de apenas 5%.

Para chegar ao título de Master of Wine Dirceu se dedicou de corpo e alma por 7 anos, estudando, degustando vinhos, viajando e trocando experiências com colegas de estudo (sem mencionar as despesas que esse tempo e dedicação custaram).

Dirceu concedeu uma entrevista exclusiva para o casacomvinho.com.br.

 

Dirceu, para quem gostaria de se preparar para o Master of Wine a primeira etapa seria participar da formação da Wset 1, 2 e 3 no Brasil (já em Português), e posteriormente estudar na Inglaterra do nível 4 em diante.

São essas as etapas? Quais são suas recomendações para quem quer tentar se preparar para o Master of Wine?

 

Para quem não tem formação em enologia o caminho recomendado é buscar a formação através  da WSET até  concluir o nível 4. Minhas recomendações incluem muita disciplina, força de vontade, compreensão dos amigos, família e colegas de trabalho pois o caminho é bastante longo e árduo. Durante  sete anos dediquei cerca de 20 horas por semana para estudar e, além disso, viajar seguidamente para regiões produtoras.

 

Você acredita que por o Brasil ter acesso à vinhos do mundo todo o aprendizado torna-se um pouco mais fácil? Principalmente para entender as diferenças entre os terroirs?

 

Acredito que com a globalização que nos dá ótimo acesso a vinhos e informações a distância não deve ser vista como um fator limitante.

 

Recentemente você esteve na Expovinis em São Paulo, falando sobre a lista dos 50 Melhores Vinhos de Portugal. Quais são as principais mudanças dos vinhos de Portugal nos últimos anos? Existem regiões que se destacam nessas mudanças?

 

Acredito que a qualidade está melhorando gradativamente e, além disso, os vinhos de várias regiões parecem estar mais consistentes. No passado eram alguns bons produtores em determinadas regiões, hoje existem vários.  Ter massa critica é bom para a região e também para o consumidor pois diminui o risco de comprar um vinho de qualidade inferior.  O  consumidor já esta familiarizado com a qualidade dos vinhos do Douro e do Alentejo. Outras regiões que se destacam são o Dão que no passado teve má reputação, mas hoje produz vinhos excelentes e também a região ao redor de Lisboa, pois estão fazendo vinhos muito bons e não caros.

 

Você e José Ivan Santos são autores do livro: Conheça Vinhos pela Editora Senac, o que os leitores encontrarão nesse livro? Pode-se dizer que é um guia para entender um pouco mais sobre os vinhos?

 

O livro foi escrito para  pessoas que querem aprender um pouco mais sobre o tema, mas não querem terminologia complicada.  Recebo várias mensagens de leitores e o comentário frequentemente gira em torno de como o livro  é rápido e fácil de ler.  O livro ganhou um premio em Paris pela forma didática de como foi escrita e isso foi trabalho do Jose Ivan Santos.

 

Para quem está começando a estudar e conhecer um pouco sobre vinhos, o que recomenda?

 

Ler um livro que dê as noções básicas sobre o assunto: como degustar, harmonizar pratos, etc. Depois disso o importante é não ter medo de experimentar coisas diferentes. O vinho deve ser visto como uma bebida simples e  saudável. Nada de complicações, apenas descobertas e divertimentos.

 

O Brasil é um país muito novo no estudo, na degustação e no hábito de consumir vinhos, você acredita que o país pode crescer como país consumidor?

 

Pode,  à partir do momento que a bebida seja vista como algo saudável quando ingerida com moderação, algo simples e fácil de entender. Não deixar pessoas que tem um pouco mais de conhecimento, complicar o assunto para parecer superior.  O governo Chinês está a favor de que as pessoas consumam o vinho por ser mais saudável que outros tipos de bebidas alcoólicas. Se o governo brasileiro pudesse seguir o exemplo e diminuir os impostos todos seríamos beneficiados, mas acredito que os produtores de cervejas tem algo a ver com isso. A margem de lucro que as empresas aplicam no Brasil são tipicamente elevadas em comparação com outros países. Além disso, seria necessário um processo de educação que as entidades responsáveis pela promoção de vinhos de certos países produtores de vinho como Chile, Argentina, Portugal, etc. poderiam contribuir.  Sim, o consumo pode crescer, mas exige o empenho de várias peças desse enorme quebra-cabeça.

 

A qualidade dos espumantes brasileiros pode abrir portas para o consumo de outros estilos de vinho pelos brasileiros? Ou ainda existe muito preconceito entre os consumidores?

 

Acredito que pode. Sei que ainda existe um certo preconceito, mas a partir do momento que o Brasil tiver mais produtores fazendo um trabalho sério nossos espumantes poderão ser a nossa arma principal. Precisamos de massa crítica. Somente três ou quatro bons produtores não e suficiente.

 

Por favor, se puder citar dois livros para que os consumidores possam aprofundar seus conhecimentos no mundo dos vinhos, quais recomendaria?

 

 

Eu gostei muito de ler um livro chamado The Art and Science of Wine escrito por Hugh Johnson e James Halliday. Eu também uso o Oxford Companion como referência.


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